A diferença sem uma conexão não é uma vantagem
Como estou estudando para a minha monografia, que certamente vai ser adaptada pra português de gente (e não essa linguagem acadêmica estranha) e postada aos poucos aqui, às vezes me deparo com algumas coisas interessantes, e penso.
Penso, logo, posto.
Lendo o livro do Garcia Canclini, “Diferentes, Desiguais e Desconectados” (2004, Editora UFRJ), achei um capítulo bem interessante sobre cinema latino-americano (o último capítulo), onde ele faz um estudo de caso usando a indústria cinematográfica, tentando provar as teorias que ele defende. Basicamente, se eu entedi bem, ele diz que a globalização tende não a mesclar culturas e unificar, mas a dividir e desglobalizar, pois as minorias culturais sofrem a pressão da “elite dominante”. Até aí, tudo bem, a gente estuda isso no colégio.
O interessante é que ele evidencia a diferença entre “minoria demográfica” e “minoria cultural”, trazendo, entre varios, o exemplo da comunidade de falantes de espanhol residente nos Estados Unidos, que soma 12% da população, e é militante de sua cultura (gerando muita renda para filmes hispanicos), mas é menosprezada em termos mercadológicos.
Também comenta que a sobrevivência das culturas diferentes da do mainstream, que é mantida a duras penas, poderia ser mais explorada e gerar receita, se conseguisse vencer as barrerias comerciais impostas.
A sugestão que ele dá sobre “o que fazer quando a globalização desglobaliza” é unir-se. Segundo ele, “a diferença sem uma conexão não é uma vantagem”. Essas minorias culturais conseguem furar o bloqueio mainstream quando juntam poder de fogo suficiente para se impor no mercado. No caso do cinema, quando conseguem uma produção constante, numerosa e de qualidade, que consiga bater de frente com a produção estadunidense, ou ao menos parte dela.
Uma dessas “junções” frutíferas é o Programa Ibermedia. Lançado em 1997, o Programa apóia financeiramente co-produções entre os países Ibero-americanos: Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Chile, Equador, Espanha, Guatemala, México, Panamá, Peru, Portugal, Porto Rico, República Dominicana, Uruguai e Venezuela. Centenas de filmes carregam o logo do programa em seus créditos, diversos brasileiros.
O apoio se dá sob a forma de empréstimo ou fundo perdido para as áreas de Desenvolvimento de Projeto, Produção, Formação, Distribuição, Exibição e Delivery (distribuição e promoção). Os valores são oferecidos em dólar, e as exigências e documentos variam de área para área, mas devem ser filmes falados nas línguas dos países membros, e deve haver co-produção entre dois países, podendo ser entre mais.
Além disso, tem o Ibermedia TV, que é uma colaboração entre os países membros para a exibição dos filmes selecionados nas suas TVs públicas.
Os auxílios do programa variam de U$ 15,000.00 a U$ 200,000.00. Gostou? As inscrições para a segunda chamada desse ano estão abertas até 30 de maio. Vai no site pra achar detalhes.