Seminário Curta e Mercado

Entre 23 e 25 de agosto aconteceu em São Paulo, na Cinemateca Brasileira, dentro da programação do 21º Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo, o Seminário Curta e Mercado – Seminário de Comercialização de Conteúdos Audiovisuais de Curta Duração, promovido pela ABD Nacional e pelo Kinoforum. Dados os nomes aos bois, vamos ao que interessa.

Durante esse seminário foram discutidas diversas formas de comercialização para o curta, e uma coisa ficou bem clara, pelo menos pra mim: curta-metragem é produto e é de nicho.

Nas antigas, o curta era considerado uma escola, uma espécie de preparação para o longa-metragem, grande desejo de todo diretor que se preze. Ainda é, quando se fala em curtas universitários, mas não mais quando se volta os olhos para o mercado.  Com as TVs digitais, as mídias sociais e a tecnologia móvel se expandindo e tornando-se acessíveis, as oportunidades para os filmes de curta-metragem vão se ampliando. Mas será que aqueles curtinhas que você tem na manga podem aproveitar essas mídias todas e render um dinheirinho?

Ao mesmo tempo em que crescem, essas oportunidades de mídia se segmentam, direcionam-se para públicos diferentes, e exigem cuidados específicos. Aquele seu curta pode, sim, se aproveitar disso, mas dificilmente vai poder abraçar todo o amplo espectro. Por exemplo: se seu curta tem 15 minutos, jamais poderá aproveitar o mercado de telefonia móvel. Se tem menos de 5 minutos, provavelmente não poderá ir pra TV. Se tem cenas de sexo, obviamente, o horário de exibição muda. E assim segue uma série de fatores que são decisivas na hora de vender, mas também de criar o seu trabalho.

Nilton Canito, à frente da Secretaria do Audiovisual/MinC, durante o seminário, afirmou ser imprescindível pensar em modelos de negócio para o curta, e não simplesmente sair fazendo. A arte é importantíssima, porém o roteiro e a direção podem, sim, se adaptar à públicos e formatos midiáticos diferentes. A sugestão de Canito foi a agregação de curtas com algo em comum para a venda como um longa. Boa idéia, também. Mas a briga por um bom mercado para o conteúdo curto depende da ampliação do raciocínio de mercado.

Seu curta é um produto. Deve ser pensado desde os primeiros rascunhos de roteiro como um produto, que tem um público-alvo, um mercado potencial (que cria regras como tempo de duração, e até limites de produção) e um limite de retorno financeiro. Mas não vale mais a pena gastar tempo e dinheiro fazendo algo que vai ficar guardado na gaveta ou exibido para meia dúzia de amigos. E também não vale mais a pena não ganhar dinheiro com o nosso trabalho. Oportunidades não faltam, basta saber se posicionar e criar de maneira integrada a esse mercado, que tanto nos desafia.

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